RESPONSABILIZAR-SE

Essa semana presenciei um fato que me chamou muita atenção.


Era uma tarde normal e eu estava aguardando o Uber, quando de repente uma colisão entre dois veículos aconteceu.


Vocês devem estar pensando: por que isso chamou tanta atenção se é um acontecimento cotidiano?


Vou contar para vocês!


Porque virou cena de novela. Não sei dizer se cômica com aquela tela de fundo: é isso que vocês se tornaram ou uma novela dramática, digna de pena.

Me perdoem a rigidez nessa dúvida afirmativa que expressa um grande sim. Essa experiência me chamou a atenção por ser uma cena real, não de um programa de TV, onde muitas vezes, a depender do contexto apresentado, nem nos damos conta de que situações como essa ganham força a cada dia dentro da nossa Sociedade.

Uma sociedade que se organiza e dita as normas!

Normas que são propagadas diariamente dentro de todas as relações humanas, o que acaba por estabelecer e habitar a nossa subjetividade. Toda experiência vivida e nossas emoções estão enraizadas dentro desse sistema louco onde nem percebemos que nossas ações, atitudes e existência estão tão permeados pela cultura e pelo pensamento predominante de uma época, que fica difícil compreender aquela máxima que diz: “Quem vê de fora, vê melhor!”

Estamos tão aprisionados nessas amarras do dia a dia que fica impossível perceber olhando de dentro.

Certa vez li um artigo que dizia mais ou menos assim:


“... vamos nos amarrando naquilo que querem e esperam de nós, naquilo que escolhemos como jornada e que acreditamos ser fruto da razão, das decisões livres. Não são.”


De um carro sai um casal, a mulher muito nervosa. Do outro, um jovem e a confusão estava formada. Discussões acirradas de quem estava errado, quem era o culpado. Cada um defendendo ferozmente sua versão de inocência. Xingamentos, “cala a boca” foram parte desse show.

Não ouve um me desculpe, vocês estão bem? Estão machucados?

E o mais triste é que um veículo avançou o sinal amarelo e no outro veículo, o motorista falava ao celular.


Pensando nessa cena do “a culpa não é minha”, convido vocês a pensarem:

O que gera essa irresponsabilidade

contínua que vivemos?


Vemos isso ao nosso redor todo os dias, nas várias formas de desculpas internas quando nos deparamos ao enfrentamento do inevitável e que, de inevitável, muitas vezes não tem nada. E, o pior, é que todos os avisos estão lá, mas simplesmente os ignoramos.

Assumir o risco de avançar um sinal amarelo ou falar ao celular na direção, parecem-me situações evitáveis, mas se desejamos arriscar, então por que se esquivar da responsabilidade?

Trata-se de uma isenção de culpa, no mínimo, marcada por valores equivocados com a chancela de uma justiça irreal.

Foi isso que me chamou tanta atenção. As nossas ações refletem quem somos e afetam diretamente na educação do nosso povo. Furar uma fila, avançar o sinal, não cumprimentar as pessoas com palavras suaves, desrespeitar os mais idosos, berrar com uma criança, jogar lixo no chão, estacionar em local proibido ou qualquer ação despida de educação e respeito são armas que destroem a nós mesmos e se replicam na sociedade traduzindo uma pandemia social.


Não resta claro que se tivermos ações corretas contribuiríamos para um todo muito melhor e mais saudável?

Será que a educação tem sido insuficiente, será que a escola e a família não têm conseguido a parceria basilar para trabalhar conceitos de vida que sejam alicerces futuros para nossas ações?

Após esse episódio, devemos sim, repensar nossa forma de viver, nossas atitudes diárias, pois elas são a causa da bagunça que se vive hoje, afinal todos nós já experimentamos o arrependimento de não dar atenção aos sinais de aviso e culpamos o mundo, tentando fugir das responsabilidades.


Pensem nisso!

Felicidades!

Mírcia Ramos

Texto revisado por Ana Elisa Carvalho de Aguiar – Professora de Língua Portuguesa

Produção Virtual: Hannah Sloboda



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