Dia dos pais: Uma homenagem sincera

Pai, chegamos em agosto de 2021!

Meu Deus, o tempo não está passando, correndo ou voando, está se teletransportando!

Ontem era maio, Dia das Mães e agora, lá vem ele, o Dia dos Pais!

Os anúncios pipocam em revistas, jornais, TV e pontos de ônibus. O segundo domingo de agosto promete!

Pai!

Em minha opinião essa palavra transborda força!

Bem, e nesse contexto de escolher escrever sobre alguns temas, sempre me intriga a curiosidade de entender e pesquisar sobre suas origens.

Então, vamos às curiosidades:


Você sabe a origem dos Dia dos Pais?

A criação da data comemorativa foi realizada nos Estados Unidos e a partir de então se expandiu para o mundo.


Segundo estudos sobre o assunto, no Brasil, foi só nos anos 1950 que a ideia de reservar uma data para os pais ganhou força.


Inicialmente, a data era comemorada em 16 de agosto, dia de São Joaquim, pai da Virgem Maria e avô de Jesus. A comemoração foi celebrada pela primeira vez no dia 16 de agosto de 1953.


A data no país foi idealizada pelo publicitário Sylvio Bhering tanto para reconhecimento da figura paterna quanto para fins comerciais como já acontecia com o dia das mães.

Entretanto, o segundo domingo de agosto é que se tornou o dia da comemoração com o passar dos anos, sendo mais propício para reunir as famílias.

Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/datas-comemorativas/dia-dos-pais-1.htm


E, hoje, nesse dia de celebração, te convido a refletir sobre a figura paterna e a compreender a importância dela em sua vida.


Sem dúvidas, temos espaço para histórias surpreendentes, batalhadoras e emocionantes, como também, histórias tristes, machucadas e doídas.


O que elas têm em comum? São verdadeiras!


É a sua história!


Que tal contar um pouquinho para gente?


Eu começo (rs)!


E, a minha deu início de verdade, aos 14 anos!

Descobri meu pai aos 14 anos!

Falar que descobri meu pai aos 14 anos é uma chamada criativa para dizer que foi nessa idade que eu enxerguei meu pai pela primeira vez.


Um ser humano falível, com sonhos e frustrações. Um homem despido da armadura de bravura e entregue às suas dúvidas.


Na infância foi um pai paternalista, um pouco ausente, é verdade, mas presente o suficiente para ensinar a força de um comando em um simples olhar.


Lembro bem que sentia uma mistura de medo e respeito por aquele homem imponente e distante.


Dos cochichos nos corredores aos grandes almoços familiares na casa de meus avós, a vida foi seguindo seu fluxo e o que antes era temido por mim começava a virar questionamento.


“O tempo é senhor da razão!”

Foi, então, em uma tarde de verão, um sábado como outro qualquer, a não ser por essa descoberta que marcou meus 14 anos, que tudo aconteceu.


Era fim de tarde, o sol já não reluzia tanto e ao abrir o portão da nossa antiga casa no Vital Brasil/Niterói, vejo meu pai sentado na varanda, de cabeça baixa e olhar perdido. Minha irmã, sentada no chão, de pernas cruzadas, fumando um cigarro.


Dava para sentir o clima pesado. A cada tragada, um suspiro.


Nessa época não tinha permissão para participar da “conversa de adultos”. Passei de cabeça baixa, dizendo um tímido olá e sentindo o peso da preocupação.


Éramos seis. Meus pais, minha irmã de 17 anos, meu irmão gêmeo e eu de 14 e o caçula de 12. Por ocupar o cargo de “irmã mais velha”, era ela quem sentia os primeiros golpes de qualquer assunto que pudesse desestabilizar ou magoar a família.


Esse elo de proteção, deu a mim e aos meus irmãos, um afastamento natural, tipo: deixem as crianças fora desse assunto!


Abro a porta da sala e o silêncio opera dentro de casa. Nesse horário, era hábito se ouvir o barulho das panelas, sentir o cheiro gostoso da comida da minha mãe e ter como pano de fundo o Programa do Raul Gil, que ela tanto amava.


Nada, nem um som. Até os cachorros pareciam adormecidos.


Por uma fração de segundos senti aquele frio na espinha, mas não podia voltar. Continuei com meus passos que ecoavam no chão como único som percebido naquele momento e ao entrar na sala de jantar, vejo minha mãe.


Lá estava ela, inerte, pensativa. Seus cabelos bagunçados em um coque mal feito, suas mãos entrelaçadas e apoiadas na mesa de vidro. Os óculos escorregavam pelo nariz, banhados de lágrimas tristes e silenciosas.


Pensei:


Meu Deus, o que está acontecendo?


De mansinho fui chegando perto, sentindo aquele frenesi da verdade e com desejo de acolhê-la de alguma forma, naquele momento.


Ela levantou a cabeça, me olhou com toda sinceridade em seu olhar e me disse:


“Filha, eu amo a minha família acima de tudo! Não quero perdê-la!”


Não era a primeira vez que meus pais brigavam. Todos sabemos que um casamento tem altos e baixos, que são lutas, desafios e concessões, quase, diárias. Discordar, às vezes, faz parte.


Mas, desta vez, o apelo da minha mãe tinha um tom diferente. Será mesmo que o casamento dos meus pais teria acabado?


E, naquele dia, me enchi de coragem e me apossei do meu lugar naquela família. Posso não ser adulta, mas faço parte dessa história, queria ser ouvida, queria demonstrar meus receios e minhas dúvidas.


Não seria vencida pelo medo ou respeito ao meu pai, nem deixaria a proteção da minha irmã sair ganhadora.


Não!


Urgia em mim uma necessidade de falar e, vejam que a minha questão, no momento, não era discutir sobre a possível separação dos meus pais. Eu queria entender o porquê disso estar sendo cogitado! O que aconteceu nas entrelinhas que fomos blindados e agora só nos resta aceitar?


Eu estava furiosa! Me sentindo traída!


E em um acesso de coragem, pela primeira vez na vida, pedi licenças ao meu pai e a minha irmã e pedi para participar da conversa de adultos.


E, foi nesse dia, um dia comum de uma família brasileira, que eu descobri meu pai!


Tivemos uma conversa franca, todos os pontos foram debatidos, ouvi e fui ouvida por aquele homem que, até então, era meio que decorativo em minha vida e nesse dia, descobri meu pai!


Nasceu o meu melhor amigo e o meu maior protetor!


Agora, com quase 80 anos, mas com a mesma postura íntegra e olhar seguro, só posso dizer:


Obrigada, Pai!


Bem e se ficou curioso com o final da história (rs), é só seguir o blog até o fim!


Pai, obrigada por me ensinar e segurar minhas mãos em todos os momentos difíceis da minha vida. A sua proteção foi o maior porto seguro que já pude sentir.


Obrigada pelas inúmeras horas de lazer que nos proporcionou;

Obrigada pelas conversas fiadas e pelos ouvidos atentos!


Obrigada por ter sido o esteio e a bravura dessa família!


Obrigada por nunca me julgar, mesmo quando afrontava seus limites;


Obrigada, Pai!


Obrigada por estar aberto ao novo e por acompanhar as mudanças impostas pela vida!

Obrigada por não se permitir ficar para trás e garantir nossa caminhada juntos “de e entre” gerações!


Obrigada por ter enfrentado seus medos por amor a nós!

Obrigada por partilhar dos momentos mais importantes da minha vida!


E, acima de tudo Pai, obrigada por não desistir da nossa família!

Obrigada por ter vencido os problemas e por caminhar lado a lado dessa mulher que tanto te ama!

Vocês construíram uma linda história juntos!


É isso, Pai!

Há anos digo o quanto te amo! O quanto você é o meu herói, meu porto seguro e minha referência. O quanto te admiro e te respeito!

Esse ano gostaria de fazer algo diferente, mas os clichês (que são tão reais) não cansam de me rondar enquanto escrevo. Então, para tentar transformar as palavras de sempre em algo diferente, escrevi esse blog para você!

E, mesmo sabendo que dificilmente você vai ler esse blog (rs), o dedico a você, Joecir Ribeiro Ramos, meu pai!

E a todos os papais, mestres de nossas vidas, desejo um Feliz Dia dos Pais!!!

Até a próxima!!! Se cuidem!!!

Felicidades!

Mírcia Ramos


Texto revisado por Ana Elisa Carvalho de Aguiar – Professora de Língua Portuguesa

Produção Virtual: Hannah Sloboda





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